Poesias Curtas de Amor: 7 Versos Singelos Fazem Sorrir =)

Poesias Curtas de Amor

Para começar um artigo com poesias curtas de amor, nada melhor do que… uma rápida poesia!

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Fernando Pessoa.

7 Poesias Curtas de Amor

7 Frases Poéticas Curtas

Veja a seguir uma seleção com as melhores poesias curtas de amor.

Começando por um clássico (e também uma dos meu poemas favoritos) escrito por Mário Quintana.

Bilhete (Mário Quintana)

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

Dando sequência na nossa lista com poesias curtas de amor, o próximo poema foi eleito um dos cem melhores da literatura brasileira, em 2020.

Escrito pelo mestre Carlos Drummond de Andrade, essa poesia curta define o amor como ele é: sem-razões.

As sem-razões do amor (Carlos Drummond de Andrade)

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

A próxima é uma das várias poesias curtas de amor escritas por Chico Buarque.

Futuros amantes (Chico Buarque)

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Cora Coralina não poderia ficar de fora do nosso artigo com poesias curtas de amor.

Chama atenção a simplicidade da mensagem, que ao mesmo tempo é extremamente profunda.

Mais que apenas uma poesia curta, essa é uma verdadeira declaração de amor apaixonada.

Meu destino (Cora Coralina)

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida…
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida…

O próxima poesia curta de amor é uma brincadeira com as palavras e os seus significados.

Sem título (Paulo Leminski)

Eu tão isósceles
Você ângulo
Hipóteses
Sobre o meu tesão

Teses sínteses
Antíteses
Vê bem onde pises
Pode ser meu coração

Agora preste atenção na próxima poesia curta de amor.

Nela, o autor Pablo Neruda descreve o sentimento como uma planta que cresce, cria raízes e floresce.

Acompanhe essa poesia curta:

Tu eras também uma pequena folha (Pablo Neruda)

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo

Dentre todas as poesias curtas de amor dessa lista, talvez a próxima seja a mais famosa.

Ela foi escrita pelo autor Vinicius de Morais.

Soneto da fidelidade (Vinicius de Moraes)

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Seguindo com a nossa lista de poesias curtas de amor escrita por Carlos Drummond de Andrade:

O tempo passa ? Não passa (Carlos Drummond de Andrade)

O tempo passa ? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.

Qual Poesia Curta de Amor Você Mais Gostou?

Ao final dessa breve seleção com poesias curtas de amor, deixe seu comentário.

Qual você mais gostou?

Aproveite para compartilhar a sua poesia de amor conosco através dos comentários =)

Bônus: Poesias Curtas Sobre a Simplicidade

Antes de encerrar essa leitura, veja a seguir 3 poesias curtas sobre a simplicidade que precisavam estar aqui.

Tratado geral das grandezas do ínfimo (Manoel de Barros)

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

De todas as poesias curtas, essa certamente vai colocar um sorriso no seu rosto =)

Motivo (Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Para encerrar esse artigo com poesias curtas com chave de ouro, um dos meus poemas favoritos.

Rumo ao Sumo (Paulo Leminski)

Disfarça, tem gente olhando.
Uns, olham pro alto,
Cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
Lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
Sempre tem gente olhando,
Olhando ou sendo olhado.

Outros olham para baixo,
Procurando algum vestígio
Do tempo que a gente acha,
Em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
Já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
A alma, esse conto de fada.

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